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teatro e literatura

A dialética de Ricardo II

Já se observou que a atitude crítica de Antonio Candido decorre de uma compreensão materialista da forma literária. Ao invés de separar o comentário histórico e a análise formal, de tratá-los como opostos, ele articula os dois campos, de modo a tornar legível na forma literária os seus “ritmos sociais preexistentes” [1].

Uma demonstração exemplar dessa técnica dialética de Antonio Candido se encontra na palestra A culpa dos reis: transgressão e mando no “Ricardo II”, escrita para integrar um ciclo de debates sobre Ética. [2] Sendo texto destinado ao ouvido do público, sobre assunto teatral, encontra-se ali um cuidado argumentativo que deixa visível a dimensão de uma pedagogia da crítica contida na maioria de seus ensaios.

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Latão e Brecht

Trabalho de Brecht, de José Antonio Pasta

Este é um livro extraordinário em muitos aspectos. Escrito originalmente como dissertação de mestrado em 1982 – por um estudante que se tornaria professor da Universidade de São Paulo – e lançado em 1986, ele de pronto assinalou o surgimento de um intelectual que desde já se situava entre os mais brilhantes do país, em sua área de estudos.

Excepcional também é que Trabalho de Brecht renove sua atualidade a cada dia. Isso se deve ao tratamento que dá à questão mais decisiva da poética de Brecht, a do método dialético, debate que apenas Walter Benjamin enfrentou com a mesma complexidade. Através da sondagem do movimento geral de contradições que animam a obra de Brecht, José Antonio Pasta postula a existência de uma “atitude clássica” praticada pelo artista que mais radicalmente reinventou o teatro moderno.