crônicas e ficção

escritos livres sobre atualidades
e esboços ficcionais

Sarrafo, um jornal pau-para-toda-obra

O SARRAFO foi um jornal sobre teatro feito por alguns grupos da cidade de São Paulo no ano de 2003. Em sua primeira formação, “éramos seis”: Ágora, Parlapatões, Folias d´Arte, Teatro da Vertigem, Fraternal e Companhia do Latão. Participavam como editores várias pessoas dentre as que organizaram, tempos antes, o Arte contra a Barbárie, movimento […]

Decálogo de Cascudo para nortear a vida (1993)

Eu organizava esta semana os livros na estante, naquela tentativa inconsciente de colocar em ordem a própria alma (algum resquício da primitiva magia simpática), quando o acaso me fez deparar com uma pequena obra, perdida atrás da fileira de livros. Intitulada O livro das velhas figuras, foi-me presenteada há muitos anos pelas mãos do próprio autor, […]

A atriz H

Por onde passa, instaura começos ensaios, de alegria e espanto, como as velhas divindades (na mão, uma cicatriz) No centro móvel da cena, Ela percorre desvios Estaca a fala, suspende o rito Voa o cenário, inaugura o sentido No gesto em que tudo já era no ato em que tudo é princípio seu despudor é […]

Monan Piririguá (2011)

Piririguá Obyg tinha 130 anos quando o missionário da Companhia de Jesus o procurou no aldeamento de Itanhaém. A pele enrugada do velho tupiniquim sobrava nas costelas e coxas, mas não no rosto descarnado. Portava adornos descoloridos da virtude guerreira antiga. Foi um homem principal, disso sabiam todos, e não só o prestígio, mas o […]

Uma canção do reisado (2011)

No Assentamento Santana, onde mora Alana, Seu José, brincante do Boi, é a mim apresentado por Silma. Percebe que me interesso pelo que ele faz e me narra uma cena. “Nunca viu?” Ele representa cada um dos personagens do jogo do reisado, canta trechos, cria o espaço, as oposições, os tipos. Consigo ver cada detalhe.

Cançoneta de Maria Ilieva

Sou Maria Ilieva das ameixas escaldadas, do xarope fermentado, na Bulgária dos novos dias. Pode provar meu senhor, Meu conhaque seca feridas,

Tipos do jornalismo atual (notas para personagens, 2011)

O editor neotropicalista é a encarnação do ideal do “criticar aderindo e aderir criticando”.Vai a todas a festas, mas se sente como um antiburguês no meio dos burgueses, um subversivo que esparrama graxas avançadas nas engrenagens da estrutura. 

Um intelectual no exílio (dos cadernos de Giácomo Soderini)

No desterro de San Casciano, Maquiavel, o proscrito, se acanalhava o dia todo no jogo de baralho. Sobre a mesa na taberna, freqüentada por um açougueiro, um moleiro e dois padeiros, contava os pontos das cartas de efígie perdida. E ao fim da jornada, embriagado após o passeio pelas ruas escuras, imobilizava-se diante da porta […]