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Dialética do drama nas lições estéticas de Hegel (apontamento inédito, 2017)

            É comum nos ambientes teatrais a leitura subjetivista da poética dramática de Hegel. Sua obra, segundo essa interpretação, confirmaria a ideia moderna de que o drama é essencialmente uma forma de representação dialogada baseada no conflito das vontades individuais. As personagens dramáticas seriam assim sempre pensadas como sujeitos dotados de responsabilidade sobre seus atos e que têm consciência moral sobre suas vivências passionais.

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“Calabar”, espetáculo interrompido: apresentação do livro de Nina Hotimsky

A “mutabilidade do passado” é um fato de que temos provas diariamente. A memória pessoal interfere nas imagens dos acontecimentos vividos com reajustes, substituições, novos enquadramentos – que atendem aos interesses de sua evocação no presente.

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Roteiro de leitura cênica com Cecília Boal, Roberto Schwarz e Zé Celso: debates da Aparte (2018)

No dia 05 de outubro de 2018, como parte de uma ação comemorativa dos 50 anos da chamada “batalha da Maria Antonia”, (organizada pelo TUSP e pelo Centro Universitário Maria Antonia), realizei no prédio histórico uma leitura cênica em que convidei a psicanalista Cecília Boal, o crítico Roberto Schwarz e o diretor Zé Celso Correa Martinez para lerem textos escritos nos anos 1960 sobre relações entre arte e política.

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Nota sobre a peste e arte medieval ( 2020)

A peste que devastou a Europa no ano de 1348 gerou uma mudança nos padrões estéticos que foi avaliada por muitos historiadores do período como uma queda de nível da arte, na medida em que pintores e escultores, após a pandemia, se viram obrigados a servir aos interesses mais fúteis ou mórbidos dos senhores que sobreviveram. É essa a opinião de G. Duby e J. Le Goff, medievalistas franceses que também registram o vínculo direto entre a difusão da peste e o nascente capitalismo comercial.

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Conversa sobre processo colaborativo (2005)

Boa noite. Agradeço muito o convite da Ana e do Milaré para estar aqui. Minha fala será breve.  Todas as peças que escrevi até hoje foram baseadas no que se costuma chamar de processo colaborativo, aquele em que o material dramatúrgico, as personagens e até muitas relações ficcionais e estéticas surgem na sala de ensaio, a partir da prática das improvisações dos atores e dos estudos do grupo como um todo em torno de um tema ou projeto formal.

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Aprendizado dramático: apresentação do livro “O pensamento dramatúrgico de Augusto Boal”, de Paula Autran (2019)

Este estudo de Paula Autran dá continuidade a uma pesquisa realizada na Universidade de São Paulo em torno do trabalho pedagógico de Augusto Boal na área de dramaturgia.

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Possibilidades atuais de um teatro crítico: carta de Jean-Pierre Sarrazac a Sérgio de Carvalho (2019)

Conheci o dramaturgo Jean-Pierre Sarrazac ao convidá-lo para uma participação no ciclo O Teatro e a cidade, que organizei para prefeitura de São Paulo em 2001. Sarrazac vinha ao Brasil pela primeira vez.

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Uma pequena peça de Jorge Andrade (2013)

A beleza de O Mundo Composto vem do sentimento de injustiça que atravessa o pequeno ato: dois homens em cena, a percepção das vidas gastas no trabalho, a elaboração simbólica da própria experiência, no ponto em que a religiosidade camponesa se aproxima da consciência de classe.

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Notas sobre Raymond Williams e o teatro (2013)

Raymond Williams, em mais de uma ocasião, afirmou que seu interesse pelo teatro surgiu na leitura das peças de Ibsen, ocorrida após sua experiência como combatente do exército na Segunda Guerra Mundial. Ibsen foi, no fim do século XIX, o dramaturgo mais influente entre os artistas que representaram a crise da sociedade burguesa no campo da família. Para Williams, é o autor que toca o limite da “tragédia liberal”. A leitura de sua obra, feita em contraste com as experiências trágicas do século XX, foi decisiva para que o jovem intelectual de origem operária encontrasse um caminho crítico diferente daquele praticado por seus pares na Universidade.

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Teatro de Gonçalves Dias: miséria rasteiras e arrebatadas (resenha, 2004)

Para que se entenda o trabalho teatral do poeta Gonçalves Dias (e sua possível validade atual) é preciso refletir sobre sua admiração por Friedrich Schiller, um modelo artístico recuado quase 50 anos do romantismo brasileiro. O classicismo alemão servia de bússola espiritual para uma resistência contra o apequenamento imposto por um ambiente hostil. Nele, Gonçalves Dias (1823-64) encontrou um debate poético central da nossa era, aquilo que Lukács descreveu como a necessidade de superar pela forma o caráter problemático e não-artístico da sociedade burguesa.