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diálogos das artes Latão e Brecht

Dogville: das vantagens de usar Brecht

Não é só através do tema que Dogville, filme do diretor Lars Von Trier, se aproxima da obra de Bertolt Brecht. De fato, a canção Jenny e os Piratas, trecho da Ópera de Três Vinténs, inspira o argumento do filme, cedendo-lhe a imagem da moça explorada por toda a cidade e a de uma vingança de aniquilação. Mas o parentesco de assunto é distante, comparável ao da releitura feita por Chico Buarque em sua Geni e o Zepellin. São casos em que o assunto brechtiano serve a outros propósitos.

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A dialética crua e ingênua do Senhor Keuner (2006)

Em torno do Sr. K, um irônico pensador anti-ideológico, Brecht escreveu dezenas de fragmentos teórico-narrativos. A maioria das Histórias do Senhor Keuner já era conhecida no Brasil: pela tradução de Marcelo Backes editada em formato de bolso no Rio Grande do Sul em 1998 (Unidade Editorial, Prefeitura de Porto Alegre) ou pela pioneira, a de Paulo César Souza, editada em 1989, pela Brasiliense. Revista para a editora 34, é esta tradução que agora se reimprime com a inclusão de 15 fragmentos recém descobertos, provenientes da chamada “Pasta de Zurique”, do espólio da documentarista suíça Mertens-Bartozzi.

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O tao do marxismo (resenha a O método Brecht, 2000)

Certos pensamentos são como os burocratas, teriam que possibilitar a produção, mas, ao invés disso, eles a dificultam. Essa observação de Brecht se refere a tudo o que “O Método Brecht”, de Fredric Jameson, não faz: não se serve de generalidades, não proclama empecilhos, não foge do problema, não hiperestima o estágio atual do capitalismo.

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Notinha sobre Bob Wilson e Brecht (2012)

A montagem da Ópera de Três Vinténs de Brecht, dirigida por Bob Wilson para o Berliner Ensemble passa pelo Brasil. Assisti há alguns anos em Berlim. Uma jornalista me pede opinião, respondo o seguinte:

Quando Bob Wilson surgiu como encenador nos anos 70, Heiner Muller viu ali uma afinidade radical com Brecht: um encenador que desmontava a expectativa convencional – e ideológica – do público, rompendo o espaço-tempo da cena e combinando fragmentos de fantasia e de paisagem histórica. O Bob Wilson de hoje depurou a própria pesquisa formal a ponto de domesticá-la. Essa Ópera de Três Vinténs reduz o texto de Brecht a esquemas abstratos de neon, despolitiza o material crítico, dissolve o caráter de classe da representação (que na peça original é a questão central), desproblematiza a posição do espectador. É uma encenação bonita e conformista, como é o Berliner atual.

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Uma fala sobre Ópera dos vivos (2011)

O espetáculo Ópera dos Vivos foi concebido como um estudo teatral sobre o trabalho da cultura. Mais especificamente, a peça estuda a dialética entre a dimensão produtiva e formas de representação, a partir de algumas experiências modelares do teatro, do cinema e da canção, dos anos 60 até hoje.

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Ópera na Terreira da Tribo (notas e fotos, 2011)

Porto Alegre, 28 de junho de 2011. Iniciamos a montagem de Ópera dos Vivos na Terreira da Tribo. É uma viagem tornada possível graças à vontade e ao trabalho do Ói Nóis Aqui Traveiz.

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Nota sobre “o velho e o novo” em Brecht (2011)

A procura da interação entre o velho e o novo possibilita ao escritor ver nas coisas o seu processo. Todo o teatro de Brecht é atravessado por imagens de anacronismos e progressos, momentos da contradição entre atitudes antigas e novas, formas distanciadas de se compreender os padrões da atualidade. Numa nota de trabalho a respeito de A Boa Alma de Setsuan ele escreve: “Claro que já existem aviadores e ainda existem deuses neste Setsuan”.

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Os vivos somos nós: entrevista sobre Ópera dos Vivos (2010)

Princípios – A peça retrata bem os anos 1960, 1970, aquele período de ditadura militar, com um olhar atual. Mas também aborda outras questões. Afinal, qual o tema central de Ópera dos Vivos?

Sérgio de Carvalho – Para nós, a peça é sobre o trabalho da cultura na atualidade. Ela usa os anos 1960 como uma referência para pensarmos possibilidades hoje de relação entre arte e política. Ela não se pretende uma história geral do período. O ângulo em que a história surge em cena é o do processo de mercantilização e de alienação, ligado à especialização em que o trabalho artístico se envolve com o desenvolvimento das estruturas produtivas. Como em qualquer outra relação de trabalho, também as da cultura se determinam pela situação material. 

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Ofício do diretor (entrevista, 2010)

Como você chegou à direção teatral?

Comecei meu trabalho teatral como dramaturgo. Apesar de algumas experiências anteriores em direção (feitas na universidade, durante a graduação e o mestrado), minha intenção era seguir apenas escrevendo ficção e teoria. Decidi me dedicar ao ofício de encenador quando entendi, através da prática experimental, a possibilidade de juntar os campos. Passei a me dedicar a uma dramaturgia crítica da cena, ligado a um coletivo de artistas, a Companhia do Latão.

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Uma entrevista para o Hemispheric Institute

Marcos Steuernagel – Uma das questões interessantes do trabalho do Latão é essa idéia de usar o Brecht como um modelo, mas tentar construir uma espécie de teoria brasileira do Brecht, de entender como a teoria dele chega no Brasil. Você poderia falar sobre isso?