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diálogos das artes

Nota sobre Chaplin (2011)

Assistimos a algumas cenas de Chaplin como modelo de trabalho nos ensaios de O Patrão Cordial. Mesmo nos filmes anteriores à composição do “tipo Carlitos”, está em jogo uma personagem abúlica, de vontade precária, a quem o mundo das coisas surge como ameaçadoramente vivo.

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Latão e Brecht

Atuação crítica (entrevista, 2009)

ISABEL PACHECO – Vendo o trabalho e a trajetória de vocês eu vejo que há uma reflexão crítica acerca da sociedade, da história. Como surgiu isso, a idéia dessa busca por esse caminho?

SÉRGIO DE CARVALHO – Desde o início, existe uma certa dimensão teórica no trabalho teatral que eu pretendia desenvolver e depois isso se impregnou no trabalho do Latão. Eu vim da dramaturgia pra direção.

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diálogos das artes Latão e Brecht

Dogville: das vantagens de usar Brecht

Não é só através do tema que Dogville, filme do diretor Lars Von Trier, se aproxima da obra de Bertolt Brecht. De fato, a canção Jenny e os Piratas, trecho da Ópera de Três Vinténs, inspira o argumento do filme, cedendo-lhe a imagem da moça explorada por toda a cidade e a de uma vingança de aniquilação. Mas o parentesco de assunto é distante, comparável ao da releitura feita por Chico Buarque em sua Geni e o Zepellin. São casos em que o assunto brechtiano serve a outros propósitos.

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Latão e Brecht

A dialética crua e ingênua do Senhor Keuner (2006)

Em torno do Sr. K, um irônico pensador anti-ideológico, Brecht escreveu dezenas de fragmentos teórico-narrativos. A maioria das Histórias do Senhor Keuner já era conhecida no Brasil: pela tradução de Marcelo Backes editada em formato de bolso no Rio Grande do Sul em 1998 (Unidade Editorial, Prefeitura de Porto Alegre) ou pela pioneira, a de Paulo César Souza, editada em 1989, pela Brasiliense. Revista para a editora 34, é esta tradução que agora se reimprime com a inclusão de 15 fragmentos recém descobertos, provenientes da chamada “Pasta de Zurique”, do espólio da documentarista suíça Mertens-Bartozzi.

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teatro e literatura

Encontro com Lauro César Muniz sobre dramaturgia (2011)

Encontro de trabalho (nos dias 16 e 17 de agosto de 2011) com Lauro César Muniz, no Estúdio da Companhia do Latão. Ele nos explica seus anos de aprendizagem com Augusto Boal, entre 1961 e 1962, quando tomou contato com o método de escrita que o Arena desenvolveu antes do golpe de estado.

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diálogos das artes

Noite dos desesperados (They shoot horses, dont they?)

Dos filmes que me marcaram a adolescência, Noite dos desesperados (1969), de Sidney Pollack, é talvez o de memória mais viva. Assisti na televisão, sozinho, numa madrugada. Numa mais o revi. O filme retrata um concurso de dança de salão em que o último casal a seguir de pé ganha o prêmio, até o limite das forças e da sanidade. Todos bailam como mortos vivos, numa corrida diante de uma plateia que parece mecânica, ao som de músicas ironicamente alegres. São personagens arrebentadas, no tempo da depressão norte-americana.

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teatro e literatura

Anatol fez toda uma geração aprender a pensar (resenha, 2009)

O alemão Anatol Rosenfeld (1912-1973) ajudou muita gente a pensar por conta própria. Ainda hoje, é o crítico teatral mais importante na formação dos artistas de minha geração em São Paulo. 

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Latão e Brecht

O tao do marxismo (resenha a O método Brecht, 2000)

Certos pensamentos são como os burocratas, teriam que possibilitar a produção, mas, ao invés disso, eles a dificultam. Essa observação de Brecht se refere a tudo o que “O Método Brecht”, de Fredric Jameson, não faz: não se serve de generalidades, não proclama empecilhos, não foge do problema, não hiperestima o estágio atual do capitalismo.

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teatro e literatura

Atitude modernista no teatro brasileiro (palestra de 2003 sobre politização da cena em São Paulo)

A história do teatro brasileiro do século XX registra pelo menos três ciclos de politização da prática teatral.

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Latão e Brecht

Notinha sobre Bob Wilson e Brecht (2012)

A montagem da Ópera de Três Vinténs de Brecht, dirigida por Bob Wilson para o Berliner Ensemble passa pelo Brasil. Assisti há alguns anos em Berlim. Uma jornalista me pede opinião, respondo o seguinte:

Quando Bob Wilson surgiu como encenador nos anos 70, Heiner Muller viu ali uma afinidade radical com Brecht: um encenador que desmontava a expectativa convencional – e ideológica – do público, rompendo o espaço-tempo da cena e combinando fragmentos de fantasia e de paisagem histórica. O Bob Wilson de hoje depurou a própria pesquisa formal a ponto de domesticá-la. Essa Ópera de Três Vinténs reduz o texto de Brecht a esquemas abstratos de neon, despolitiza o material crítico, dissolve o caráter de classe da representação (que na peça original é a questão central), desproblematiza a posição do espectador. É uma encenação bonita e conformista, como é o Berliner atual.